CAPÍTULO 44 — QUANDO O CUIDADO PRECISOU DE UMA DIREÇÃO MAIS CLARA

  • A escuta aprendida na experiência e com quem ensinou *

“O que responde antes de ouvir comete estultícia que é para vergonha sua.”

— Provérbios 18:13

O capítulo anterior reuniu as diferentes responsabilidades que já faziam parte do serviço de Ivanildo e Rosinete. Aqui, o foco muda: não se trata apenas de compreender por que o trabalho precisava de continuidade, mas de observar como se aprendia a cuidar de pessoas com mais discernimento. Os relatos não registram uma reunião em que o casal tenha criado um método formal de atendimento. Registram, porém, orientações concretas que ajudaram a formar a maneira de Rosinete lidar com crianças, adolescentes e famílias.

Na formação de Rosinete, algumas pessoas tiveram participação importante. A Missionária Terezinha foi uma das primeiras referências em sua aprendizagem da Palavra. Segundo sua lembrança, ensinou-lhe como se portar no culto — ler a Bíblia, colocar a mão no coração, fechar os olhos e manter silêncio — e a levar esses fundamentos para dentro de casa, conversando com seus pais. Mais tarde, já na antiga instituição, a Obreira Deise teve papel importante em ensiná-la a lidar com crianças e adolescentes. Cada uma dessas referências ocupa uma etapa própria na formação de Rosinete.

Outra contribuição lembrada por Rosinete foi a do colaborador Bill, que a orientou sobre as visitas aos lares e sobre como se aproximar de jovens e adolescentes. O aprendizado não se limitava a orar com eles ou ensinar-lhes a Bíblia. Incluía ouvir o que contavam sobre a vida emocional, a casa e a família, procurando compreender a situação também a partir do lugar em que aqueles jovens estavam. Essa orientação dava ao cuidado uma direção muito concreta: antes de concluir o que alguém precisava, era necessário escutar o que aquela pessoa estava vivendo.

Essa diferença importava na prática. Uma criança ou um adolescente não chegava ao contato com a igreja deixando do lado de fora as relações familiares, as preocupações e os sentimentos. Rosinete aprendeu a prestar atenção também a esse contexto. Seu trabalho incluía o cuidado com crianças e adolescentes, as visitas e as conversas com mães; a orientação recebida ajudava a compreender que ensinar e aconselhar exigiam conhecimento da realidade de quem estava sendo cuidado. O relato não descreve um protocolo escrito nem uma técnica formal. Descreve pessoas que a ensinaram e uma compreensão de cuidado que se tornou mais ampla.

“Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.”

— Gálatas 6:2

Ouvir, nesse contexto, não significava concordar automaticamente com tudo o que a pessoa dizia, nem prometer uma solução para cada problema. Significava evitar julgamentos apressados, reconhecer que cada história tinha suas circunstâncias e entender que a orientação precisava respeitar a dignidade de quem procurava ajuda. A direção mais clara começava pela disposição de compreender antes de responder. A compaixão permanecia ligada à responsabilidade, e a responsabilidade não dava a quem cuidava o direito de controlar a vida do outro.

A caminhada de Ivanildo também continha uma aprendizagem sobre a postura de quem serve. Em seus registros, ele reconheceu que, durante certo período, concentrar-se nos erros de alguns servos atrasou o próprio crescimento. Essa autocrítica, já tratada em outro momento da biografia, é relevante aqui por um motivo específico: o discernimento não pode ser exigido somente de quem recebe cuidado; também precisa ser praticado por quem cuida. Reconhecer a própria participação, aceitar correção e continuar aprendendo fazem parte dessa responsabilidade.

Os relatos não situam esses aprendizados em uma única ocasião e não permitem datar o momento em que passaram a orientar cada atitude. O que mostram é uma formação progressiva, recebida de pessoas diferentes: aprender a ensinar, visitar, escutar e considerar a realidade de crianças, adolescentes e famílias. A importância dessas referências está na continuidade do aprendizado e na maneira como ajudaram a formar o serviço de Rosinete.

Na compreensão de fé que Ivanildo e Rosinete testemunham, o Espírito Santo os acompanha desde o nascimento e continuou presente em sua caminhada. Essa convicção faz parte da maneira como compreendem o próprio chamado. Ao mesmo tempo, a história mostra a importância dos ensinamentos recebidos de outras pessoas e do aprendizado construído na prática. A direção espiritual não apagava a necessidade de ouvir, discernir e rever atitudes; essas dimensões caminhavam juntas no modo como o casal entendia o serviço.

Por isso, este capítulo não declara que Ivanildo e Rosinete tenham instituído, naquele momento, um sistema formal de aconselhamento ou de acompanhamento. Registra a formação de um princípio de cuidado: aproximar-se de alguém exige mais do que boa intenção; requer escuta, respeito, discernimento e humildade para reconhecer os próprios limites. Essa compreensão preparava o casal para pensar o futuro sem perder aquilo que dava sentido ao trabalho. A forma de servir ainda poderia mudar, mas a atenção à pessoa precisava permanecer no centro.

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas.”

— João 14:26